Na Serra da Canastra, uma das dez regiões produtoras de Queijo Minas Artesanal, tradição e inovação caminham lado a lado. O clima, o solo e os microrganismos do ambiente — o chamado terroir — influenciam o sabor e a textura do produto, feito há mais de dois séculos e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram
O segredo está no “pingo”, um fermento natural retirado do soro do queijo fabricado no dia anterior, que dá identidade e vida ao Canastra.
Queijos autorais ganham espaço em Minas e conquistam paladares no Brasil e no exterior — Foto: Reprodução / EPTV
Queijos autorais ganham espaço em Minas e conquistam paladares no Brasil e no exterior — Foto: Reprodução / EPTV
Em São João Batista do Glória, o casal Renato e Nilseia dos Santos Rosa Vilela começou há sete anos a produzir queijos artesanais. No início, seguiam a receita tradicional. Mas os pedidos por novidades abriram espaço para a criatividade.
"Eu comecei a observar na maturação, às vezes eu deixava o queijo um pouco mais úmido, às vezes o grão maior e comecei a observar na maturação que isso acontecia e aí eu vi que modificava completamente o queijo", conta Nilseia.
Assim nasceram os queijos autorais, versões únicas criadas a partir da base tradicional. Um deles, com mofo natural formado pela ação do ambiente, levou medalha de prata em um concurso mundial de queijos realizado na França.
“Cada dia é um sabor, cada dia tem as suas características. E o tempo influencia diretamente nisso, as estações, né? Então, eu falo que a gente tem os queijos das estações. Cada estação a gente tem um queijo. É lindo isso, né? Deixar a natureza fazer esse trabalho”, diz Nilseia.
Produtores mineiros criam queijos autorais e levam tradição da Canastra a prêmios internacionais — Foto: Reprodução / EPTV
Produtores mineiros criam queijos autorais e levam tradição da Canastra a prêmios internacionais — Foto: Reprodução / EPTV
No laboratório da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o professor Luís Roberto Batista, especialista em microbiologia de alimentos, explica o fenômeno que transforma o queijo artesanal em uma criação autoral.
"Quando a gente fala de criatividade, identidade... a gente vai para o lado de singularidade também, ou seja, aquele produto vai ser único. Porque somente aquele produtor ou aquela produtora tem aquela criatividade para produzir aquele queijo. Que vai depender muito da época do ano, dependendo da composição do leite, depende muito da alimentação animal também", afirmou.
Inovação mineira: queijos autorais do Sul de Minas conquistam o paladar internacional — Foto: Reprodução / EPTV
Inovação mineira: queijos autorais do Sul de Minas conquistam o paladar internacional — Foto: Reprodução / EPTV
Minas lidera registros de queijos autorais
Em Três Corações, uma loja localizada ao lado do Museu Pelé oferece 25 tipos diferentes de queijos autorais. Alguns são cremosos e envoltos por cintas de carvalho; outros misturam frutas e nozes e lembram um bolo.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), há 58 registros oficiais de queijos autorais no estado — 46 deles no Sul de Minas.
Quem produz e segue a regulamentação pode receber o Selo ARTE, que garante autenticidade e permite a venda do queijo em todo o país.
Quando o selo está presente na embalagem significa que o queijo foi elaborado de forma artesanal, com receita e processo tradicionais. Assegura que o produto atende às normas sanitárias e às boas práticas agropecuárias. O consumidor tem acessoa às informações sobre a origem e o processo produtivo e permite a venda do queijo em todo o país.